violência travestida faz seu trottoir…

2006 Maio 16
by ellyguevara

 

armamão.jpgNas grandes cidades do pequeno dia-a-dia o medo nos leva a tudo, sobretudo a fantasia. Então erguemos muros que nos dão a garantia de que morreremos cheios de uma vida tão vazia… Nas grandes cidades de um país tão violento os muros e as grades nos protegem de quase tudo. Mas o quase tudo quase sempre é quase nada e nada nos protege de uma vida sem sentido

(…)

Nas grandes cidades de um país tão irreal
Os muros e as grades nos protegem de nosso próprio mal
Levamos uma vida que não nos leva a nada
Levamos muito tempo prá descobrir
Que não é por aí
Não é por nada não
Não não não pode ser
É claro que não é, será?

(Muros e GradesHumberto Gessinger/Augusto Licks)

 

 

Os ecos do movimento organizado por uma instituição que a sociedade nega reconhecer a existência tiveram/têm tanta importância quanto o próprio evento programado. Muitas ações extras aconteceram 'na cola' de um 'circo maldito'. Ações que tanto ajudaram a dar força maior do que a real para quem planejou, quanto auxiliaram na saída da saia-justa em que se meteram polícia e políticos. Estes, não se cansaram de repetir, por 24h ou mais, que tudo estava sobre controle, o mais era boataria. Pois a boataria foi muito real e assustadora para aqueles que presenciaram suas diversas faces. A boataria gerou a impressão de fragilidade do Estado e abriu espaço para quem soube se aproveitar da sensação de medo que pairava no ar.

Ainda hoje, fui apresentada à tal boataria. Saindo da escola onde trabalho junto com a amiga que me oferece carona todos os dias, senti que esta parou subitamente, assustada. Perguntei:

_O que foi?

_Estão levando meu step – disse ela

_Como assim? – não conseguia imaginar a cena

Então olhamos as duas para o carro. Dois homens, jovens, abriam o compartimento na parte de baixo do carro dela. Um deles olhou para nós duas e apontou os dedos fazendo com a mão sua arma imaginária. Sentimos então o medo que um dia antes tomava tanta gente. Voltamos para o interior da escola e, pelo vidro, observamos os dois terminarem a operação. Paradas. Os dois então guardaram o objeto roubado e seguiram no carro que emparelharam atrás do carro de minha amiga. Antes de sumirem, apontaram novamente os dedos, armas imaginárias…

Boataria, imaginação…

 

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  1. 2006 Maio 19

    Agora esta tudo normalizado. As lojas abriram, a gente pode sair de casa e os traficantes já deram o recado, conseguiram um acordo e podem traficar sossegados. Coitadinhos, eles precisam de televisores melhores pra assistir a copa do mundo.

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