para parir…

Há tempos não me debruço aqui sobre o certezas provisórias para expor meus olhares e experimentações sobre a vida. Como já disse, a gravidez é uma mutação não apenas física. Sou toda outra e com isso mudam ritmos e prioridades.
Mas há tempos também que quero passar por aqui e contar sobre minha escolha em parir.
Sim, eu quero parir Caetano!
Parir da melhor forma para mim, para ele e para nossa relação. Por isso escolhi a Casa de Parto de Sapopemba como o local de nascimento de meu filho. Lá não contaremos com as famosas intervenções hospitalares para evitar a dor.
Ainda acredito que a dor faz parte da maioria dos processos importantes da vida e que a relação entre mãe e filho só tem a ganhar com o ritual completo de um parto, que inclui dor e delícia na mesma intensidade. Então, para parir não quero anestesia, episiotomia, tricotomia e outros.
Quero eu, Caetano e Nê criando nosso processo de nascimento e renascimento. Quero me sentir empoderada, capaz de protagonizar o parto.
Esta escolha, num país onde 40% dos nascimentos são realizados não através de um parto, mas de uma cirurgia conhecida como cesárea não é simples. Nem digo isso pelo tanto de vezes que ouvi ‘você é louca!’ ou outras frases desanimadoras durante a gestação, mas pela ânsia dos profissionais da saúde de hospitais particulares (onde o índice de cesárea representa 90% dos nascimentos) em promover mais uma cirurgia para o seu próprio bem, pois com data marcada a agenda deles não sofre alterações. Troquei por três vezes de médico obstetra e isso não é divertido, aborrece!
O parto natural sem intervenções é indicado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) desde que não haja qualquer impedimento. Esta recomendação se completa com a indicação de que o máximo de cesáreas realizadas num país se limite a 15% dos nascimentos. Estamos bem longe!
“A cesariana é um instrumento importantíssimo para salvar a vida de mães e
crianças, mas pode acontecer justamente o contrário” alerta a coordenadora técnica de
Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Maria José de Oliveira Araújo. Ela explica que a cirurgia traz mais riscos de infecção, de bebês prematuros e com baixo peso e hemorragias do que o parto normal. “Essas informações estão cientificamente provadas, não há mais dúvidas“, enfatiza.
Ainda assim, obstetras sem tempo para acompanhar partos com mais de 10 horas convencem a grande maioria das mulheres do meu país – que não vêem mais a dor como parte do processo de parir, preferindo evitá-la – a agendarem os nascimentos de seus bebês e a cortarem sete camadas de suas barrigas desnecessariamente.
Eu não me rendo a mais este mercado. Eu quero parir! Quero parir Caetano!



Todo apoio e beijos meus.