/\/\/alta dosagem de educação/\/\/ ————— |sob prescrição médica|

calvinNa próxima semana inicio meu trabalho com crianças de 3 a 4 anos. Apesar de não concordar com a estrutura do ensino formal, senti uma falta danada da possibilidade de estar com estas pessoas que, em início de vida descobrem o mundo a todo tempo.

Das últimas vezes em que me rendi a esta estrutura em nome do amor pela educação, muito me chocou determinados comportamentos de alguns professores, diretores e coordenadores pedagógicos. Um destes comportamentos é, sem dúvida, a negação da diversidade, o interesse em ‘normatizar’ crianças.

Em busca da ‘normatização’ vale tudo e um grande aliado destes ‘profissionais’ é o rótulo TDAH (Transtorno do déficit de Atenção e Hiperatividade). Rotular um aluno que não segue os padrões da instituição escola é habitual desde que iniciei meu trabalho na educação, em 1996. Uma irresponsabilidade que aumentou em 930% o uso de remédios conhecidos como multifenidatos, apresentados com nomes ‘simpáticos’ como Ritalina e Concerta, no Brasil.

Estamos diante de uma ‘epidemia de hiperatividade’?

Difícil acreditar. Mesmo porque, o TDAH não é uma doença. Um transtorno, em linguagem médica, é uma ‘desordem’ do funcionamento natural de algum órgão. No caso do TDAH, trata-se de desvios bioquímicos de dopamina e noradrenalina.

A doença é social. O pragmatismo, a competitividade e a individualidade de nossa sociedade produz hiperativos para depois os medicar.

Na escola, pessoas agitadas, contestadoras e inteligentes (além do ‘normal’) incomodam. São sujeitos ao preconceito enraizado no sistema educacional que ainda condena a diversidade.

A banalização no uso do termo hiperatividade em ambientes escolares precisa ser revisto. Repassar a responsabilidade do educar leva muitas crianças aos consultórios médicos condenadas ao diagnóstico.

De um lado, professores despreparados para alunos ‘não ideais’. Do outro, pais em busca do filho perfeito, sem paciência para educar. Medicar se torna mais prático.

Muitas vezes, alunos diagnosticados como hiperativos não o são. A escola é que se encontra fora de contexto. Confronta seu olhar formatado com o olhar global dos alunos, que conhecem e usam computadores e outros meios para atuar no mundo.

Quando os famosos castigos e prêmios não funcionam, o TDAH é acionado.

Os possíveis efeitos ao cérebro da ‘droga da obediência’ são desconhecidos e podem alterar o desenvolvimento normal.

Einstein, Da Vinci, Mozart, Picasso e Newton eram hiperativos. O que teria acontecido se tivessem tomado multifenidatos após serem ‘catalogados’ por algum professor?

calvinIIAfeto, troca, partilha e sinceridade. Alguns dos ingredientes que me preparo para lançar mão este ‘ano letivo’, como chamamos na escola. Eles não têm preço, não se encontram em prateleira alguma, mas seus efeitos em ‘doses homeopáticas’ – como disse o poeta – costumam ser positivos no desenvolvimento do ser humano.

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