Da OMS para parturientes

Os direitos da parturiente

A Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou um documento chamado Recomendações para o parto normal. Nele, os procedimentos hospitalares comuns no atendimento à parturiente são classificados como eficazes ou inapropriados. O documento, no entanto, não é uma lei. Por isso, cabe à mulher conhecer esses procedimentos e decidir se quer ou não passar por eles. Como na hora do parto fica difícil entender ou decidir algo, recomenda-se que a mulher crie, antecipadamente, o plano de parto: um documento que registrará o que ela decidiu. Caso seja necessário descumprir o plano de parto, a equipe de saúde tem a obrigação de consultar a mulher. Conheça os principais procedimentos:

  • Acompanhante: a lei que entrou em vigor em dezembro de 2005 garante à parturiente o direito a um acompanhante na hora do parto.
  • Lavagem intestinal ou enema: até o início da década de 90 toda mulher era obrigada a fazer lavagem para não evacuar durante o trabalho de parto. Isso porque não era permitido à mulher se locomover, o que impedia a utilização do banheiro. Essa conduta é considerada prejudicial e ineficaz porque enfraquece a mulher.
  • Liberdade para caminhar: a caminhada ajuda no controle da respiração e acelera o trabalho de parto. Contudo, muitos hospitais induzem a mulher a permanecer deitada.
  • Escolha da posição de parto: segundo o obstetra Moyses Paciornik, autor do livro Parto de cócoras, um dos maiores casos de iatrogenia (doenças causadas por intervenções médicas desnecessárias) da história da medicina aconteceu quando colocaram a mulher deitada para parir. Essa posição reduz o diâmetro vaginal em até 28%, o que causa mais dor e aumenta a possibilidade de lacerações.
  • Banhos mornos: o contato com a água alivia as dores, e ajuda a relaxar.
  • Ingestão de bebidas e alimentos leves: a maioria dos hospitais não permite que a mulher coma ou beba, nem mesmo água. Mas um trabalho de parto consome muita energia. Muitas vezes as contrações ficam espaçadas porque a parturiente está fraca. Portanto, é bom que a mulher beba um suco bem doce, chás ou mel para se recompor.
  • Objetos pessoais: a parturiente tem o direito de construir o cantinho em que ela quer parir. É importante que ela esteja perto dos objetos que lembrem sua vida íntima, sua família ou crença. Há casos de mulheres que escolheram ouvir músicas durante o parto ou parir com a camisola pessoal.
  • Tricotomia (raspagem dos pêlos pubianos): não é pratica obrigatória. A tricotomia era comum para que o médico tivesse melhor visualização da vagina. Entretanto, descobriu-se que isso aumentava a exposição da mulher a infecções.
  • Rompimento espontâneo da bolsa d’água: o rompimento artificial da bolsa é feito para acelerar o trabalho de parto, mas pode trazer complicações. A bolsa pode estourar, naturalmente, em três momentos: antes de iniciar o trabalho de parto, durante ou no momento expulsivo. Isso é diferente em cada gestação.
  • Medicação para alivio da dor: somente se a mulher pedir. Estudos já mostraram interferências negativas de analgésicos no trabalho de parto. Recomendam-se massagens, óleos, banhos e exercícios de relaxamento.
  • Oxitocina (hormônio usado para acelerar o trabalho de parto): geralmente aumenta as dores. A recomendação médica do uso de oxitocina é para o caso de mulheres que correm o risco de hemorragia pós-parto.
  • Episiotomia (corte lateral no períneo): é usado rotineiramente para evitar lacerações. Entretanto, é um procedimento que corta várias camadas de tecidos e necessita de muitos pontos. Pode também causar infecção por causa da proximidade do ânus. Na maioria dos casos, o corte poderia ser evitado. A mulher pode dizer que não quer passar pela episiotomia. Até mesmo as lacerações são mais superficiais que esse corte. Mesmo assim, elas podem ser evitadas com exercícios durante a gestação.
  • Placenta espontaneamente expulsa: o descolamento da placenta pode demorar até uma hora depois que o bebê nasce, sem que isso represente problema.

Fonte:

Revista do Correio

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Um comentário sobre “Da OMS para parturientes

  1. oi Elly! vi um comentário seu lá na Zel e fiquei interessada. é permitido a presença de acompanhante nas casas de parto??

    tive um parto normal e o 2º foi cesária, pois o bb estava em posição pélvica na 40ª semana…acho q no meu caso não rola parto natural em casa de parto, uma pena…

    bjs

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