desserviço à educação

entrevista1.jpgMaria Helena Guimarães de Castro, secretária de educação do Estado de São Paulo falou como quem se sente no pedestal da educação na revista (?) Veja da segunda semana de fevereiro. Que a Veja seja o veículo de maior desserviço da imprensa brasileira, vá lá. Agora a coragem desta socialite disfarçada de socióloga é um showzinho de horrores à parte!
Abaixo, o trecho que a mim pareceu o mais grave e assustador:

Num mundo ideal, eu fecharia todas as faculdades de pedagogia do país, até mesmo as mais conceituadas, como a da USP e a da Unicamp, e recomeçaria tudo do zero. Isso porque se consagrou no Brasil um tipo de curso de pedagogia voltado para assuntos exclusivamente teóricos, sem nenhuma conexão com as escolas públicas e suas reais demandas. Esse é um modelo equivocado. No dia-a-dia, os alunos de pedagogia se perdem em longas discussões sobre as grandes questões do universo e os maiores pensadores da humanidade, mas ignoram o básico sobre didática. As faculdades de educação estão muito preocupadas com um discurso ideológico sobre as múltiplas funções transformadoras do ensino. Elas deixam em segundo plano evidências científicas sobre as práticas pedagógicas que de fato funcionam no Brasil e no mundo. Com isso, também prestam o desserviço de divulgar e perpetuar antigos mitos. Ao retirar o foco das questões centrais, esses mitos só atrapalham.
Um dos mais populares é aquele segundo o qual o aumento no salário dos professores leva sempre à melhoria do ensino. As pesquisas mostram que, quando o dinheiro vem dissociado de uma política de reconhecimento do mérito, ele surte pouco ou nenhum efeito. Um segundo mito bastante divulgado diz respeito ao tamanho das classes. Os educadores afirmam por aí ser impossível oferecer uma boa aula diante de classes cheias, mas os estudos sobre o assunto indicam que, tirando as séries iniciais, esse é um fator de pouca relevância. Escolas de diferentes países decidiram inclusive aumentar o número de alunos em sala de aula para resolver outra questão – esta, sim, de grande efeito positivo. Eles estão esticando as horas de permanência dos estudantes nas escolas e, para arcar com os custos da medida, precisam fazer caber mais gente numa mesma sala. Resta ainda o mito do livro didático. Os estudantes de faculdades de pedagogia aprendem a encarar os livros como uma espécie de camisa-de-força, e não como uma base a partir da qual podem ampliar os horizontes em sala de aula.

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4 comentários sobre “desserviço à educação

  1. Elly, observo q ela fala como quem nunca entrou em uma escola!E se entrou, nunca participou efetivamente da construção da história de uma. Ela abomina a filosofia na Educação, como quem dissese “ensine o povo a executar, mas jamais os incentive a pensar. A construir conhecimento.” Esse é um tipo de pensamento q me assusta profundamente.

  2. Olás!

    Me desculpe o atraso em responder o comentário no blog SLING.

    Estou com problemas naquele blog (não recebo os comentários por e-mail).

    Ainda está interessada no sling?

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