escolarizar a vida?

 

Caetano foi comigo para a creche aos 6 meses, por meio período. Por 2 ou 3 vezes passou na Creche o período integral para eu substituir alguma colega e saiu de lá desfigurado o meu menino. Eu senti, não compartilhei na hora, mas daquele dia em diante só substitui ou fiz jornada suplementar quando o pai podia ficar com ele em casa por um período ao menos.

Dia desses recebi nas redes sociais este link polêmico e apesar de saber onde aperta a necessidade de cada família, concordo plenamente com a visão de Steve Biddulph. Inclusive como educadora. O que eu acompanho das crianças que passam o dia inteiro nas creches desde os 4 meses quando estes chegam nos seus 3, 4 anos não me agrada. O espaço para a individualidade é essencial e na creche existe massivamente o coletivo, não dá para equacionar de outra forma, infelizmente.

Mas daí vem a questão: E as mães que não podem nem sonhar em passar um período que seja do dia com o filho pois precisa trabalhar? Amam menos?

Claro que não, né!

O problema apontado pelo Steve, até onde entendo, não são os pais, mas sim a forma que a política pública atua sobre as famílias. Ao invés de se preocupar em oferecer creche até em feriados, o Estado deveria priorizar a dignidade da paternidade/maternidade.

Steve deixa isso bem claro aki, ó:

“O direito à maternidade e à paternidade é uma questão de justiça social(…)Essa é a tragédia da industrialização. Em todo o planeta, famílias têm sido devastadas por modelos assim. Na vida em comunidade e nas aldeias indígenas, as famílias ficam unidas durante o dia.”

Não se trata de falta de amor dos pais e sim de uma sociedade que desfaz-se da importância do amor paterno/materno.

Eu acho que tem sorte a criança que mesmo matriculada em período integral, tem uma família atenta às suas necessidades de expressão individual, mas infelizmente acompanho poucos casos assim. As políticas públicas para a maternidade/paternidade tendem mais é estimular a infância terceirizada. Prova disso é uma frase que ouvi no fim do ano passado de uma mãe da creche em que trabalhava e que é mais comum do que se deseja:

“ENQUANTO VOCÊS TIVEREM CRECHE EU VOU TER FILHOS”

Lastimável, né?

imagem: we heart it

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