entre geometria e poesia

Horizontal…Isso!

Ho…ri…zon…tal.

Esta palavra me acompanhava lá nas aulas difíceis da escola. Sempre presente naquele esforço de criança de periferia para decorar. Era esta a palavra. E o esforço era decorar para não confundir com o sentido da outra (vertical).

Para a criança da periferia, estudar é garantir um novo horizonte para a vida. Mas peraí, é bom lembrar que hoje só escrevo, falo, penso e desejo esta outra palavra (horizonte) tão conectada àquela (horizontal) porque cresci. E sim, encontrei outros horizontes, neste sentido figurado que hoje sei usar.

Por que mesmo a professora de geometria não me disse?

Por que não me mostrou uma gravura linda d’um horizonte de sonho para que eu, ao invés de decorar, incorporasse a palavra ho-ri-zon-tal como poesia?

Ah! Teria sido muito mais fácil!

Hoje sei, hoje sou uma amante de imagens, de palavras…

O meu horizonte cotidiano é ainda figurado e só me toquei disso quando aquele amor salgado, vindo de praia, me confessou que era dureza morar na cidade e viver sem horizonte.

Surpresa olhei o céu de São Paulo e busquei…

Cadê?

Revelação. Vivi mais de vinte anos sem horizonte real e sem  me dar conta. E nem me adiantava a esperança de encontrá-lo num cantinho entre prédios. Não. Ele não está aqui. O horizonte não é urbano.

Horizonte nosso só na mente e na arte.

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