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parir-partejar

 

foto: Nê Bardi - 22/09/2007 eu parindo caetano

Um dia lá pelos idos de 2000, quando ainda não pensava engravidar tão cedo, por um acaso do destino naquele momento de saco cheio da vida, peguei uma revista destas semanais de grande tiragem nacional para folhear e parei numa matéria sobre partos. Sabia que seria mãe, mas nunca entendi direito porque a maternidade parecia ser de qualquer forma tão difícil no que dizia respeito ao momento do nascimento. Pelo que ouvia achava tudo horrível: tanto o parto hospitalar quanto a cesária e me imaginava sem saída no momento mais lindo da vida.

Pois não é que encontrei a saída nesta tal matéria! Nela, uma mulher (que depois de conhecer pessoalmente prefiro chamar de mulherão), Ana Cristina Duarte explicava a máfia das cesárias, a beleza e as vantagens de parir naturalmente. Daquele momento em diante eu já era uma ativista do Parto Natural Humanizado, visitava de tempos em tempos os links que apareceram nas reportagens, tendo então meus primeiros contatos com relatos de parto. Anos depois uma amiga pariu na Casa de Parto de Sapopemba e mais uma vez reforcei em mim a certeza de que quando chegasse a minha hora, queria parir. Mais do que isso: exigia poder parir em paz, contrariando todo o triste e glamouroso sistema cesarista. Assim foi. Como se sabe, pari Caetano também na Casa de Parto de Sapopemba, após 41 semanas de gestação.

Aquele mulherão se formou em obstetrícia na USP Leste e tornou possível o sonho de parir no Brasil a muitas outras mães. Esta semana está em luta pela continuidade deste curso, que o sistema está tentando derrubar. E eu me sinto naturalmente dentro desta luta. E você?

Saiba mais aqui e aqui

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A leitura do mundo

Publiquei este texto  no antigo certezas provisórias há mais de 6 anos atrás. Ainda não era mãe. Hoje, me emociona ainda mais esta história. Vou republicá-la como participação da Promoção Coragem de Mãe do site-blog What Mommy Needs.

Boa leitura!

Dedicado ao mestre Paulo Freire

12 de fevereiro de 2004

Há um mês atrás comecei a ler “Pedagogia da Pergunta” de Paulo Freire e Antonio Faundez. Hoje, 12 de fevereiro, cheguei ao fim deste livro intrigante e revelador, no ônibus, voltando de Santo André (UniABC) rumo ao meu lar, meu banho e minha cama em Ermelino Matarazzo. Não costumo ler no ônibus, me enjoa (biologicamente, claro!), mas o fim do livro me prendeu. Enfim, Paulo fecha o livro com grande esperança no processo então vivido na Nicarágua, que segundo ele era um grande exemplo do que eles chamaram no livro de “pedagogia da pergunta”. Fechei o livro quase tão emocionada quanto no dia em que terminei de ler “A vida em vermelho”. Abri novamente, pois me toquei que não sabia nada sobre o que houve na Nicarágua após aquela data. E qual era a data? Fui conferir. 1985.
Permaneci enredada por pensamentos sobre o livro, cheia de esperança também e feliz…
O livro foi escrito por meio de um diálogo entre os dois autores. Em muito se parece com as minhas últimas conversas online, um formato que revela muito mais que o convencional sobre estes dois homens e suas realizações no mundo(contém relatos sobre atuações na américa latina, na áfrica, na nicarágua etc).
De repente, todos estes pensamentos foram dispersados por um esboço de voz. Desviei meu olhar para o lado. Uma mulher. Mulher brasileira mesmo, bonita pela força no olhar e não pela estética vigente. Ser humano inteiro que é. Lembrei que já havíamos trocado palavras anteriormente, logo que me assentei ao lado dela, sobre o motorista e a velocidade do ônibus. Silêncio. Voltei meu olhar ao livro e o silêncio se desfez:
_Desculpa atrapalhar, mas vocês estudam tudo isso? – questionou a mulher.
Sorri e respondi que sim. Emendei que este livro tinha sido muito bom, muito gostoso de ler. Que eu aprendi muito com ele. Que li em um mês e que isso não era comum. Sempre demoro mais tempo. Ela sorria sobre meu incontrolável falatório e quando enfim o abandonei, ela ainda sorrindo disse:
_Te invejo…Queria ler assim…
_Você não gosta de ler? – perguntei retribuindo os sorrisos.
A mulher então transforma a fala novamente num esboço, como se fosse uma defesa e diz:
_ Não é que não gosto…
_Tem dificuldades – atropelei-a.
_É – ela então retoma o tom de voz- mas um dia quero ver meus filhos assim, como você.
Ela também comentou que o problema teve origem na infância, na escola.
Sorri e disse que ela não era a culpada. Comentei rapidamente sobre os problemas no sistema de escolas,  a precariedade do ensino. Ela compreendia e dialogava comigo. Sobre os problemas que havia nas escolas na época de sua (nossa) infância e os problemas da educação agora, para os filhos dela. Ela lia o mundo.
Este diálogo, tão importante quanto aqueles que tinha terminado de ler no livro, tomou dimensão dentro de mim. Lembrei das palavras, ainda quentinhas em minha mente, do mestre Paulo Freire:
“A leitura do mundo precede a leitura da palavra”.
Foi mágico, quando para ilustrar um comentário, a mulher leu, insegura, a primeira palavra do título do livro que ainda estava sobre meu colo “Por…”
_É “por” que está escrito aí, não é? -optou por confirmar a mulher.
Confirmei com um sorriso. E expliquei a ela que no livro que terminara de ler com o testemunho dela estava escrito o mesmo que estávamos conversando.
Em determinado momento, falei com ela sobre minhas atividades na educação e ela com muita alegria:
_QUE LINDA! ACHO LINDA!
Pensei naqueles (principalmente colegas de docência) que esqueceram disso. Da beleza de nossa missão. Ela não esquecera!
Fiquei hipnotizada pelo momento e esta foi a causa da frustração de não ter estendido mais nossa relação. Nem ao menos perguntei seu nome. Me empolguei tanto que nem imaginei que ela não me acompanharia por toda aquela uma hora de trajeto. Deixei o papo fluir:
_Quantos filhos você tem?
_Oito – ela respondeu.
_Que? – achei que havia entendido errado.
_Oito – repetiu a mulher.
_Nossa! -exclamei e sorri- é muita força!
_É, tá vendo aqui -ela me mostrou suas mãos- toda estourada de tanto trabalho, mas um dia vou ver meus filhos assim, como você.
Realmente é muita força. Uma mulher que cuida de seus 8 filhos, com idades entre 1 e 15 anos sozinha. O pai? Foi embora com sua melhor amiga. Mas isso não importa. Importa ver seus filhos lendo e, claro, tudo o que isso implica. Ela lê o mundo. Entende isso como crescimento.
O ônibus cruzava o limite urbano entre Santo André e São Paulo e a mulher se levantou. Desejei-lhe boa sorte. E fiquei. Feliz e frustrada.
Mais ainda, impressionada. Parecia que o mestre Paulo Freire, ao me ver com meus pensamentos ao final da leitura havia se preocupado com o que foi sua eterna preocupação “o concreto”. “Ler foi muito bom, filha…” (parece que podia mesmo ouví-lo)…”Mas veja, sinta e viva isso que agora faz parte de você, só assim tantas palavras vão fazer sentido.” E assim foi.

imagem: sagrado feminino

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sei sim!

Não sei … se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita.

Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja curta,
nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura …
Enquanto durar.¸.•´¨♥¸
Cora Coralina

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Voltas

mulher_reciclagem

Andei pensando o quanto este cantinho está meio copy-paste. Pensando o quanto isso  foge  da idéia inicial. Pensando dei  voltas entre fases e fases do [[[cERteZaS PRovIsÓrIas]]]. Gosto de  blogar simplesmente porque é latente em mim a necessidade de escrever, compartilhar o que penso, o que vejo, o que olho. Muitos devem pensar que a maternidade tenha me simplificado a tal ponto que não tenho mais o que dizer. Muito pelo contrário, a maternidade me deixou mais densa…A mulher, o feminino é outro, ainda mais forte e seguro. Tenho muito mais ainda a compartilhar, mas acho que preciso reencontrar a fórmula e espero que ainda exista quem queira acompanhar-me até lá.

E agora, volta ao batente que a gripe suína não derrubou o ano letivo!

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Da OMS para parturientes

Os direitos da parturiente

A Organização Mundial de Saúde (OMS) elaborou um documento chamado Recomendações para o parto normal. Nele, os procedimentos hospitalares comuns no atendimento à parturiente são classificados como eficazes ou inapropriados. O documento, no entanto, não é uma lei. Por isso, cabe à mulher conhecer esses procedimentos e decidir se quer ou não passar por eles. Como na hora do parto fica difícil entender ou decidir algo, recomenda-se que a mulher crie, antecipadamente, o plano de parto: um documento que registrará o que ela decidiu. Caso seja necessário descumprir o plano de parto, a equipe de saúde tem a obrigação de consultar a mulher. Conheça os principais procedimentos:

  • Acompanhante: a lei que entrou em vigor em dezembro de 2005 garante à parturiente o direito a um acompanhante na hora do parto.
  • Lavagem intestinal ou enema: até o início da década de 90 toda mulher era obrigada a fazer lavagem para não evacuar durante o trabalho de parto. Isso porque não era permitido à mulher se locomover, o que impedia a utilização do banheiro. Essa conduta é considerada prejudicial e ineficaz porque enfraquece a mulher.
  • Liberdade para caminhar: a caminhada ajuda no controle da respiração e acelera o trabalho de parto. Contudo, muitos hospitais induzem a mulher a permanecer deitada.
  • Escolha da posição de parto: segundo o obstetra Moyses Paciornik, autor do livro Parto de cócoras, um dos maiores casos de iatrogenia (doenças causadas por intervenções médicas desnecessárias) da história da medicina aconteceu quando colocaram a mulher deitada para parir. Essa posição reduz o diâmetro vaginal em até 28%, o que causa mais dor e aumenta a possibilidade de lacerações.
  • Banhos mornos: o contato com a água alivia as dores, e ajuda a relaxar.
  • Ingestão de bebidas e alimentos leves: a maioria dos hospitais não permite que a mulher coma ou beba, nem mesmo água. Mas um trabalho de parto consome muita energia. Muitas vezes as contrações ficam espaçadas porque a parturiente está fraca. Portanto, é bom que a mulher beba um suco bem doce, chás ou mel para se recompor.
  • Objetos pessoais: a parturiente tem o direito de construir o cantinho em que ela quer parir. É importante que ela esteja perto dos objetos que lembrem sua vida íntima, sua família ou crença. Há casos de mulheres que escolheram ouvir músicas durante o parto ou parir com a camisola pessoal.
  • Tricotomia (raspagem dos pêlos pubianos): não é pratica obrigatória. A tricotomia era comum para que o médico tivesse melhor visualização da vagina. Entretanto, descobriu-se que isso aumentava a exposição da mulher a infecções.
  • Rompimento espontâneo da bolsa d’água: o rompimento artificial da bolsa é feito para acelerar o trabalho de parto, mas pode trazer complicações. A bolsa pode estourar, naturalmente, em três momentos: antes de iniciar o trabalho de parto, durante ou no momento expulsivo. Isso é diferente em cada gestação.
  • Medicação para alivio da dor: somente se a mulher pedir. Estudos já mostraram interferências negativas de analgésicos no trabalho de parto. Recomendam-se massagens, óleos, banhos e exercícios de relaxamento.
  • Oxitocina (hormônio usado para acelerar o trabalho de parto): geralmente aumenta as dores. A recomendação médica do uso de oxitocina é para o caso de mulheres que correm o risco de hemorragia pós-parto.
  • Episiotomia (corte lateral no períneo): é usado rotineiramente para evitar lacerações. Entretanto, é um procedimento que corta várias camadas de tecidos e necessita de muitos pontos. Pode também causar infecção por causa da proximidade do ânus. Na maioria dos casos, o corte poderia ser evitado. A mulher pode dizer que não quer passar pela episiotomia. Até mesmo as lacerações são mais superficiais que esse corte. Mesmo assim, elas podem ser evitadas com exercícios durante a gestação.
  • Placenta espontaneamente expulsa: o descolamento da placenta pode demorar até uma hora depois que o bebê nasce, sem que isso represente problema.

Fonte:

Revista do Correio